Retrato da Transformação

Falando em “retrato” já confessamos até a nossa idade. Falou “retrato” é velho! Atualmente se diz “foto”. A “foto” pertence a um mundo sintético e sem sentimento. Os dicionários trazem essas duas palavras como sinônimos. E não são! Os dicionários, nesse caso como em vários outros, se enganam.

“Retrato” e “foto” são personagens de mundos distantes e distintos, que não se comunicam e nem se tocam. A “foto” pertence ao mundo da banalidade e ao universo da frieza: o piquenique, o turismo, a micagem sem-graça, a festa qualquer. Combina bem com o gibi, com o chiclete, com Disneylândia. Tirar uma “foto” é um gesto automático, banal e pequeno; nem precisa pensar. É só apertar um botão e pronto! Um “retrato”, muito pelo contrário, só se estampa ao final de uma meditação metafísica, religiosa.
O “retrato” é o ponto final de uma busca. O retratista procura capturar um invisível que mora na alma do retratado e que vez ou outra, faz uma aparição efêmera. Olhar um “retrato” é como um reencontro com quem se ama.

A “foto” não é um personagem fiel. Falta nela a essência amada. “O retrato” é um poema imaginário, onde o apaixonado viaja e se perde na própria paixão. Onde o solitario sofre e se perde na própria saudade. Onde o amor se afoga no sentimento.

O “retrato” é mais amado. É uma eterna cena existente na alma que comove. É uma busca mais profunda, como que um coral em repouso no fundo das águas. No “retrato” mora a imagem adorada e a ternura do amor.

Diante daquele retrato
me ponho ainda criança.
Mergulho em sonhos de fatos
que reluzem na lembrança.

Por:Dr. José Vigna Filho
Poeta e Advogado
Criminalista

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